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Hotmart, Eduzz e Kiwify Estão com os Dias Contados? A Conta Real de Quem Vende Curso Online

Equipe Golber.
14 min de leitura
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Hotmart, Eduzz e Kiwify Estão com os Dias Contados? A Conta Real de Quem Vende Curso Online

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Uma operação de R$ 50 mil por mês entrega mais de R$ 5 mil mensais à Hotmart, o que passa de R$ 190 mil em três anos, e a taxa de 9,9% é cobrada mesmo quando nenhuma venda vem de afiliado. A economia real de migrar não é 9,9% e sim cerca de 6 pontos, porque o processamento continua existindo, e a própria tabela da Eduzz revela o motivo: 4,9% na venda direta contra 8,9% na venda por afiliado mostra que quatro pontos são a rede de afiliados. Elas não vão morrer, vão perder o topo da carteira para quem tem audiência própria, e a resposta certa é híbrida: plataforma própria como base do negócio e marketplace mantido só como canal de aquisição por afiliado.

Uma operação que fatura R$ 50 mil por mês na Hotmart entrega mais de R$ 5 mil todo mês para a plataforma. Em três anos, isso passa de R$ 190 mil. É o valor de um apartamento pago em taxa de intermediação, por um software que hoje pode ser construído em semanas.

A tese de que Hotmart, Eduzz e Kiwify estão com os dias contados está circulando forte, e ela tem um fundo real. Mas está formulada errado, e quem migrar acreditando na versão simplificada vai perder dinheiro. Vou abrir a conta inteira, incluindo a parte que ninguém coloca na planilha.

  • As taxas de 2026: Hotmart 9,9% + R$ 1,00, Kiwify em torno de 8,99% + R$ 2,49, Monetizze 7,99% + R$ 1,50 e Eduzz com o modelo mais revelador de todos, 4,9% na venda direta e 8,9% na venda por afiliado.

  • A economia real de sair não é 10%. É algo entre 5 e 6 pontos, porque o processamento de pagamento você continua pagando em qualquer cenário.

  • A diferença entre 4,9% e 8,9% da Eduzz é a confissão do modelo: cerca de 4 pontos da taxa são a rede de afiliados. Se você traz o próprio cliente, está pagando por um serviço que não consome.

  • Elas não vão morrer. Vão perder a melhor parte da carteira, que é o produtor maduro com audiência própria, e ficar com quem está começando e com quem depende de afiliado.

  • O que a IA mudou não foi o custo da taxa, foi o custo de construir. A parte cara nunca foi o software, e é justamente essa parte que a IA não resolve.

  • A resposta certa quase sempre é híbrida: marketplace como canal de aquisição por afiliado, plataforma própria como base do negócio.

As taxas em 2026, sem maquiagem

  • Hotmart: 9,9% + R$ 1,00 por venda aprovada acima de R$ 10. Vendas de até R$ 10 são tratadas como microtransação e pagam 20%. Quem usa o player de vídeo nativo soma cerca de R$ 2,49 por venda, caindo para R$ 0,50 nas parcelas seguintes de assinatura. Há plano com mensalidade que reduz o percentual, na casa de 5,99% + R$ 1,00 a partir de R$ 99 por mês.

  • Kiwify: em torno de 8,99% + R$ 2,49 por venda, com variação relatada conforme plano e volume.

  • Eduzz: aproximadamente 4,9% + valor fixo na venda feita pelo próprio produtor e 8,9% + valor fixo quando a venda vem de afiliado.

  • Monetizze: por volta de 7,99% + R$ 1,50.

Percentuais mudam com frequência e podem ser negociados por volume. Confirme na tabela oficial de cada plataforma antes de fazer conta.

A conta de três anos

Vamos usar um cenário concreto: R$ 50 mil por mês de faturamento, ticket médio de R$ 497, cerca de 100 vendas mensais.

  • Hotmart com player nativo: 9,9% dá R$ 4.950, mais R$ 100 de taxa fixa, mais R$ 249 do player. Total de R$ 5.299 por mês, ou R$ 190.764 em três anos.

  • Kiwify: cerca de R$ 4.744 por mês, ou R$ 170.784 em três anos.

  • Eduzz em venda direta: cerca de R$ 2.550 por mês, ou R$ 91.800 em três anos.

Olhando só esses números, a conclusão parece óbvia. Mas ela está incompleta, e é aqui que a maioria dos posts sobre o tema para de pensar.

O que você está comprando com essa taxa

Vou defender o outro lado, porque sem isso a análise não vale nada. Aquele percentual não é aluguel de software. Ele empacota:

  • Processamento de pagamento. Cartão, Pix, boleto, parcelamento em até 12 vezes. Isso custa entre 3,5% e 5% no crédito em qualquer arranjo do mundo.

  • Risco de chargeback e antifraude. Infoproduto é categoria de risco alto para adquirente. Na plataforma, o problema é dela. Fora dela, é seu, e chargeback acima de certo índice derruba o seu contrato com o gateway.

  • Antecipação de recebíveis. Venda parcelada em 12 vezes com dinheiro na conta rápido tem custo financeiro embutido que ninguém enxerga.

  • Checkout otimizado de verdade. Order bump, upsell pós-compra, recuperação de carrinho e retentativa de cartão recusado. Cada ponto de conversão perdido num checkout caseiro come a economia da taxa inteira.

  • Rede de afiliados. A Hotmart opera com mais de 100 mil afiliados ativos e cookie de rastreamento de até 90 dias. Isso é distribuição, não tecnologia.

  • Estabilidade em dia de lançamento. Aguentar um pico de tráfego em abertura de carrinho é problema de engenharia caro.

  • Área de membros, player e proteção de conteúdo. Inclusive marca d'água e controle de acesso.

Se a sua conta de migração só compara taxa contra mensalidade de servidor, ela está errada por construção. Você não paga só por software, paga por risco terceirizado.

A confissão que está na tabela da Eduzz

Esse é o dado mais revelador do mercado e quase ninguém aponta: a Eduzz cobra cerca de 4,9% quando você traz o cliente e cerca de 8,9% quando o cliente vem de um afiliado.

Faça a subtração. Aproximadamente 4 pontos percentuais da taxa são a rede de afiliados. O resto, na casa de 5%, é checkout, processamento, antifraude, área de membros e operação.

A conclusão prática é dura: se você vende para a sua própria audiência e não usa afiliados, está pagando quase o dobro do custo do serviço que efetivamente consome. E na Hotmart, com 9,9% fixos, você paga a rede de afiliados mesmo quando não vende um único produto por ela.

Por que a tese tem fundo de verdade

Quatro coisas mudaram de fato, e todas jogam a favor da plataforma própria:

  1. O custo de construir despencou. Área de membros com autenticação, player, controle de acesso, checkout integrado, painel de aluno e emissão de nota eram meses de trabalho. Hoje são semanas, e a diferença é assistência de IA na construção. A barreira técnica caiu de forma real.

  2. Os gateways ficaram bons. API decente, Pix liquidando rápido, antifraude como serviço e negociação direta de taxa por volume. Você deixou de precisar de um intermediário para acessar meio de pagamento.

  3. A marca deixou de ser detalhe. Nas plataformas, o checkout roda em domínio delas, o aluno assiste no aplicativo delas e o marketplace continua visível. Você está construindo audiência dentro da vitrine de outra empresa.

  4. O dado do comprador é o ativo, e ele fica lá. A plataforma intermedia a venda e não detém direito sobre o seu conteúdo, mas controla os dados dentro do ecossistema. Quem tem lista própria negocia de outra posição.

Por que elas não vão morrer

Agora a parte que contraria o título que está viralizando.

  • A rede de afiliados não se replica. Você pode construir um checkout melhor que o da Hotmart em três meses. Você não constrói 100 mil afiliados ativos em três anos.

  • Risco zero para quem começa. Não existe mensalidade, você só paga quando vende. Para quem ainda está validando produto, isso é imbatível e nenhuma plataforma própria compete nesse terreno.

  • Responsabilidade fiscal e de chargeback terceirizada. A plataforma intermedia a venda e absorve boa parte da complexidade. Quando você sai, essa complexidade volta inteira para o seu colo.

  • Descoberta. Quem não tem audiência precisa de um lugar onde afiliados encontrem o produto. Fora do marketplace, produto sem tráfego é produto sem venda.

Então a formulação honesta da tese não é "estão com os dias contados". É: elas estão perdendo o topo da carteira, o produtor maduro com audiência própria e volume alto, e ficando com a base, que dá mais trabalho e paga menos. Isso não mata a empresa, mas muda o negócio dela, e explica por que todas estão correndo para lançar plano com mensalidade e taxa reduzida.

O ponto de virada, com número honesto

Aqui está a conta que importa, no mesmo cenário de R$ 50 mil por mês:

  • Custo na Hotmart: cerca de R$ 5.299 por mês.

  • Custo com plataforma própria: gateway com mix de 70% cartão e 30% Pix fica em torno de 3,1% efetivos, ou aproximadamente R$ 1.550, mais infraestrutura entre R$ 200 e R$ 400 por mês.

  • Economia mensal: algo próximo de R$ 3.450, ou R$ 124 mil em três anos.

Repare que eu já descontei o processamento. A economia real é de cerca de 6 pontos percentuais, não de 9,9%. Quem te vender a migração usando o número cheio está inflando o benefício.

Contra essa economia, coloque três custos que existem de verdade: o investimento de construção, a manutenção contínua e o tempo que você vai gastar operando o que a plataforma operava por você. Faça isso e você terá o ponto de virada do seu caso, que costuma aparecer em algum lugar entre R$ 20 mil e R$ 40 mil de faturamento mensal, dependendo de quanto da sua venda vem de afiliado.

Regra rápida de decisão

  • Mais de 50% das vendas vindas de afiliados? Fique. A rede vale o que ela cobra.

  • Menos de R$ 20 mil por mês? Fique. Sua energia rende mais em produto e audiência do que em infraestrutura.

  • Tráfego próprio, acima de R$ 30 mil por mês e marca importando? Comece a planejar a saída. A conta já virou.

  • Acima de R$ 100 mil por mês com audiência própria? Você está financiando uma plataforma que não te traz cliente.

O que você precisa ter antes de sair

  1. Audiência que você controla. Lista de e-mail, comunidade, canal, tráfego pago com pixel próprio. Sem isso, sair do marketplace é sair do mercado.

  2. Contrato de gateway aprovado. Infoproduto é categoria sensível. Faça a aprovação antes de construir qualquer coisa, não depois.

  3. Processo de suporte. Cobrança não reconhecida, aluno sem acesso, cartão recusado, pedido de reembolso dentro do prazo legal. Isso vira o seu telefone.

  4. Emissão fiscal resolvida. Nota por venda, automática, sem alguém emitindo à mão.

  5. Conteúdo validado. Migrar produto que ainda não vende só troca o lugar onde ele não vende.

Como é uma plataforma própria em 2026

A arquitetura que eu uso nesse tipo de projeto:

  • Aplicação: Next.js com TypeScript e React, renderização decidida por rota, e PostgreSQL com Prisma. Autenticação com controle de acesso por produto e por turma.

  • Área de membros: trilha de conteúdo, progresso do aluno, liberação por data ou por conclusão, certificado. E o que quase nenhum marketplace entrega: relatório real de quem está travando em qual aula.

  • Vídeo: serviço de streaming com token assinado e marca d'água dinâmica com dados do aluno. É a defesa que existe contra pirataria, e ela é boa.

  • Checkout: no seu domínio, com a sua marca, cartão e Pix pelo gateway contratado direto, order bump, upsell e retentativa de recusa.

  • Fiscal e transacional: NFS-e automática por venda e e-mails autenticados com SPF, DKIM e DMARC, porque confirmação de compra em spam gera chamado de suporte.

  • Automação: orquestração de eventos de compra, acesso, inadimplência e recuperação.

É o mesmo tipo de arquitetura que rodo em produção em projetos de e-commerce, com servidor dedicado, deploy contínuo e checkout com proteção contra cobrança dupla.

O que a IA acelera e o que ela não resolve

Acelera: a construção. Área de membros, painel, integrações e telas saem numa fração do tempo de dois anos atrás. Isso é verdade e é o motor real dessa discussão toda.

Não resolve: aprovação de conta em gateway, índice de chargeback, obrigação fiscal, suporte ao aluno às 22h de domingo, conversão de checkout e a rede de afiliados. A parte cara nunca foi escrever o código. Quem confunde as duas coisas migra e volta em seis meses.

O modelo híbrido, que é o que eu recomendo

  1. Plataforma própria como base. Venda direta para a sua audiência, com a sua marca, no seu domínio, com o seu dado.

  2. Marketplace como canal de aquisição. Mantenha o produto lá exclusivamente para captar afiliado. Você paga a comissão maior apenas sobre a venda que a rede efetivamente trouxe, e isso é justo.

  3. Migração por etapas. Comece pelo produto de menor risco, valide checkout, entrega e suporte, e só depois mova o carro-chefe. Ninguém deve migrar um lançamento inteiro de uma vez.

Os 5 erros de quem migra

  • Sair sem lista própria. É o erro fatal, e não tem conserto rápido.

  • Subestimar o checkout. Perder 2 pontos de conversão anula a economia de 6 pontos de taxa. O checkout deles é bom porque foi otimizado com bilhões em volume.

  • Ignorar chargeback. Índice alto derruba contrato de gateway e deixa você sem meio de pagamento no meio de um lançamento.

  • Achar que economizou 9,9%. Você economizou cerca de 6, e o resto era processamento que continua existindo.

  • Construir antes de validar o produto. Plataforma própria multiplica o resultado que existe, não cria resultado que não existe.

A conta que você deve fazer hoje

Abra o extrato da sua plataforma dos últimos 12 meses. Some tudo o que foi retido: percentual, taxa fixa, player, antecipação. Depois separe quanto desse faturamento veio de afiliado e quanto veio de tráfego que você trouxe.

A segunda parte é a que decide. Se a maior fatia veio de você, o número da primeira parte é o preço que você está pagando por uma distribuição que não usou. Multiplique por três e olhe o valor com calma.

Se essa conta apontar para plataforma própria, o caminho que eu recomendo não é contratar desenvolvimento no escuro. É começar por um estudo de viabilidade por R$ 390 em até 7 dias, com escopo, prazo e orçamento fechados, ou por um protótipo navegável do fluxo completo, de venda a área de membros, para você testar antes de investir na implementação. Em qualquer um dos casos, o código é seu mesmo se você não seguir adiante, e o valor investido vira desconto no projeto. Todas as opções ficam em golber.net/proposta.

Para acompanhar essa migração de custo mês a mês sem depender de planilha esquecida, uso o Seu Controle, que é gratuito. E sigo publicando aqui no blog as decisões técnicas e financeiras por trás de cada projeto que entrego, com fonte e número.

Taxas apuradas em agosto de 2026 a partir de fontes públicas. Elas mudam com frequência e podem ser negociadas por volume, então confirme na tabela oficial de cada plataforma antes de decidir.

Perguntas frequentes

Quanto a Hotmart cobra por venda em 2026?

A taxa-base para produtores no Brasil é de 9,9% mais R$ 1,00 por venda aprovada acima de R$ 10. Vendas de até R$ 10 são tratadas como microtransação e pagam 20%. Quem usa o player de vídeo nativo soma cerca de R$ 2,49 por venda. Existe plano com mensalidade que reduz o percentual para a casa de 5,99%.

Vale a pena sair da Hotmart e criar plataforma própria?

Vale quando você tem audiência própria, tráfego que não depende de afiliados e faturamento a partir de algo entre R$ 20 mil e R$ 40 mil por mês. Numa operação de R$ 50 mil mensais, a economia líquida fica em torno de R$ 3.450 por mês, ou cerca de R$ 124 mil em três anos, já descontando gateway e infraestrutura. Não vale se mais da metade das suas vendas vem de afiliados ou se o produto ainda não está validado.

Quanto eu realmente economizo saindo da plataforma?

Cerca de 5 a 6 pontos percentuais, não os 9,9% da tabela. O processamento de pagamento continua existindo em qualquer cenário e custa entre 3,5% e 5% no crédito, além do custo do parcelamento. Quem apresenta a economia pelo número cheio da taxa está inflando o benefício.

A IA torna viável construir minha própria plataforma de cursos?

Ela derrubou drasticamente o custo e o prazo de construção, e é por isso que a discussão ficou séria em 2026. Mas a parte cara nunca foi o código: aprovação em gateway, índice de chargeback, obrigação fiscal, suporte ao aluno, conversão de checkout e rede de afiliados continuam existindo do mesmo jeito, e nenhuma dessas coisas a IA resolve por você.

Hotmart, Kiwify e Eduzz vão acabar?

Não. O que está acontecendo é a perda do topo da carteira, ou seja, do produtor maduro com audiência própria e volume alto. Elas seguem imbatíveis para quem está começando, porque não cobram mensalidade e só ganham se você vender, e para quem depende da rede de afiliados, que é o ativo que não se replica. Por isso todas estão lançando planos com mensalidade e taxa reduzida.

Qual plataforma tem a menor taxa para quem vende por conta própria?

Entre as grandes, a Eduzz, com algo em torno de 4,9% mais valor fixo na venda direta do produtor, contra 8,9% quando a venda vem de afiliado. Essa diferença de cerca de 4 pontos é a melhor evidência pública de quanto do preço dessas plataformas corresponde à rede de afiliados e não à tecnologia.

Fontes

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