
Anthropic Troca o Git pelo Scion: Por Que 30 Mil Merges por Dia Quebraram o Git e o Que Dá Para Usar no Brasil
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Anthropic Troca o Git pelo Scion: Por Que 30 Mil Merges por Dia Quebraram o Git e o Que Dá Para Usar no Brasil
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Anthropic Troca o Git pelo Scion: Por Que 30 Mil Merges por Dia Quebraram o Git e o Que Dá Para Usar no Brasil
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A Anthropic criou o Scion, um controle de versão próprio que vive conectado ao servidor, para aguentar os 30 mil merges por dia feitos com agentes. O que ele faz, os ganhos de 200 vezes, o papel do Claude Mythos e se dá para usar no Brasil.
A Anthropic parou de usar o Git no próprio monorepo e criou um sistema de controle de versão do zero, o Scion. O motivo cabe numa linha: os agentes do Claude multiplicaram o código da empresa, e os merges por dia passaram de 2.500 em maio para mais de 30.000 em setembro. O Git, feito para pessoas, virou o maior gargalo.
Li o post original de engenharia, publicado em 13 de outubro, e vou explicar o que o Scion faz de diferente, os números, o papel do Claude Mythos na construção e a resposta para a pergunta que todo mundo fez: dá para usar o Scion aqui no Brasil? Spoiler: não, mas dá para copiar as ideias hoje, no seu Git.
O que é o Scion e por que ele vive conectado
Por que o Git não aguentou 30 mil merges por dia
Os resultados e o papel do Claude Mythos
Dá para usar o Scion no Brasil, e o que fazer no lugar
O que é o Scion
O Scion é o sistema de controle de versão que a Anthropic construiu para substituir o Git no monorepo interno. A grande diferença está na premissa: o Git assume que cada máquina tem uma cópia completa e pode trabalhar sem internet; o Scion assume que o cliente está sempre conectado e que o servidor é a fonte da verdade.
Nas palavras do post de engenharia da Anthropic, "Clients are always online". Na prática, isso muda tudo:
Sem push: commits, merges e rebases acontecem no servidor. Não existe o "subir" do Git.
Consultas por API: histórico, blame e diferenças ficam disponíveis por API, então muitos robôs de CI nem precisam baixar o repositório.
Cópia local opcional: "The working copy is optional, and sparse by design". Quando há cópia, um arquivo só é baixado no momento em que alguém o lê.
Changesets em vez de packfiles: cada mudança guarda a lista de arquivos alterados e ponteiros para o conteúdo, guardado num armazenamento de blobs.
Por baixo, são quatro camadas: o cliente scn, um daemon local, um cache regional e o servidor. A Anthropic diz que cada camada acerta o cache em mais de 99% das vezes, e que mover uma branch é uma troca atômica numa linha do Spanner, o banco distribuído do Google Cloud. O desenho se inspira no Piper, do Google, e no Sapling, da Meta.
Por que o Git não aguentou
Porque o Git foi desenhado para pessoas trabalhando em cópias completas, e quase todos os "clientes" da Anthropic hoje são agentes e jobs automáticos, sempre online, fazendo checkout o dia inteiro. Quando os merges cresceram mais de dez vezes em quatro meses, o controle de versão virou o maior gargalo do desenvolvimento.
Os números que o post mostra explicam o tamanho do problema:
Medida | Valor |
|---|---|
Merges por dia em maio de 2026 | Cerca de 2.500 |
Merges por dia em setembro de 2026 | Mais de 30.000 (cerca de 12 vezes) |
Histórico da branch principal | Quase 100 GB |
Cópia de trabalho compactada | Mais de 25 GB |
Checkouts de CI por dia | Cerca de 25 milhões |
Tráfego Git por dia, sem otimização | Mais de 600 PB |
Para segurar isso no Git, a empresa chegou a manter várias centenas de espelhos internos do repositório, cada vez mais difíceis de manter. Imagine 25 milhões de vezes por dia alguém baixando um repositório de 25 GB: não existe servidor que aguente isso por muito tempo, por mais que você o espelhe.
O Git foi feito para um programador com o notebook no colo. O Scion foi feito para milhares de agentes que nunca desconectam.
Os resultados e o papel do Claude
A infraestrutura nova usa 200 vezes menos CPU e memória que os espelhos de Git, e o checkout de código para CI ficou cerca de 100 vezes mais rápido, de minutos para segundos. A migração inteira levou cinco meses, com uma equipe de sete pessoas e muito trabalho feito pelo Claude.
Resultado | Antes (Git) | Depois (Scion) |
|---|---|---|
CPU e memória da infraestrutura | Centenas de espelhos | 200 vezes menos |
Checkout para CI e pesquisa | Minutos | Segundos (cerca de 100 vezes mais rápido) |
Capacidade de CPU do CI | Base | 25% liberada |
A parte que mais me chamou atenção é como o sistema foi construído. A mesma equipe de sete pessoas fez o Scion e o Antique, a ferramenta interna de revisão de código. E o Claude Mythos Preview, a versão interna do modelo mais forte da Anthropic, reescreveu o pipeline que importava o histórico do Git para o Scion, antes feito à mão: o resultado usou 20 vezes menos memória e ficou 4 vezes mais rápido.
O papel dos engenheiros mudou junto. Segundo o post, eles definiam a intenção, a arquitetura e as restrições, e muitas vezes o trabalho era dizer "não" quando o agente violava uma regra do sistema. O Claude também foi usado para monitorar o sistema, pelo Claude Tag, e para achar otimizações em consultas de ancestralidade de commits. É o mesmo jeito de trabalhar que descrevi no post sobre o Claude Code, numa escala que poucos vão ver.
Outra mudança de processo: a fila global de merge saiu de cena. A Anthropic passou a testar depois do merge e antes do deploy, e diz que o Claude costuma resolver os conflitos mais rápido do que um humano os perceberia.
Dá para usar o Scion no Brasil?
Não, nem no Brasil nem em lugar nenhum fora da Anthropic. O Scion é interno: não tem código aberto, não é vendido como produto e a própria empresa diz que ele "não é substituto do Git para uso geral". O que dá para usar hoje são as ideias dele, aplicadas ao seu Git.
A Anthropic explica que seria difícil oferecer o Scion a outras empresas, porque adotá-lo exige migrar todo o ciclo de desenvolvimento junto, incluindo revisão de código, busca e CI. Em vez disso, ela publicou a visão para que plataformas como GitHub e GitLab adotem partes, como operações de merge feitas no servidor por API. Perguntei ao Jev se isso muda até junho de 2027: ele dá 6% de a Anthropic abrir o código do Scion, 4% de ela vendê-lo como produto e 5% de o GitHub lançar merge e rebase só no servidor, por API, para agentes.
O que você pode fazer hoje, no Git, com as mesmas ideias do Scion (baixar só o que precisa):
Clone parcial: baixa o histórico sem o conteúdo antigo dos arquivos, que vem sob demanda.
Clone raso no CI: baixa só o último commit. A ação
actions/checkoutdo GitHub já faz isso por padrão.Checkout esparso: baixa só as pastas que aquele job usa, ótimo para monorepo.
Scalar: vem com o Git desde a versão 2.38 e liga várias dessas otimizações de uma vez em repositórios grandes.
# clone parcial: histórico completo, arquivos antigos só quando precisar
git clone --filter=blob:none https://github.com/sua-empresa/seu-repo.git
# clone raso para CI: só o último commit
git clone --depth 1 https://github.com/sua-empresa/seu-repo.git
# checkout esparso: só as pastas que o job usa
git sparse-checkout set apps/site packages/ui
Se você quer experimentar algo mais parecido com o Scion, o cliente do Sapling, da Meta, é de código aberto e funciona com repositórios do GitHub. O servidor e o sistema de arquivos virtual dele, que são a parte "sempre conectada", não têm suporte público para uso fora da Meta.
O que isso muda para quem programa aqui
Para a maioria dos times brasileiros, nada de imediato: o Git aguenta com folga um repositório de empresa média. O recado é outro: quando os agentes escrevem o código, o volume muda de ordem de grandeza, e a infraestrutura feita para humanos vira gargalo em lugares inesperados, como o CI e o controle de versão.
Se você usa agentes como o Claude Code ou os agentes que trabalham sozinhos, os sinais aparecem cedo: CI na fila, clone lento, conflito de merge todo dia. As técnicas acima resolvem boa parte disso antes de qualquer migração. Na minha leitura, mais agentes mexendo no repositório também aumentam o risco de um segredo ir parar no histórico, como mostrei no post das 543 mil chaves vazadas no GitHub.
Também vale acompanhar como a própria Anthropic trabalha, porque o que ela faz por dentro costuma virar produto meses depois. Eu explico como faço isso em minha estratégia para acompanhar a Anthropic, e o próximo lançamento esperado está no post do Claude Opus 6.
Se o seu time começou a usar agentes de IA e o CI, os merges ou os deploys viraram gargalo, é o tipo de diagnóstico e ajuste que faço na consultoria técnica.
As apostas, escritas pelo lado que o Jev acha mais provável. Eu confiro em julho de 2027, e o resultado vai para o placar de previsões:
| Aposta | Confiança | Verificação | Resultado |
|---|---|---|---|
| Até 30/06/2027, a Anthropic não publica o código do Scion como open source. | 94% | 01/07/2027 | Em aberto |
| Até 30/06/2027, a Anthropic não oferece o Scion como produto para outras empresas. | 96% | 01/07/2027 | Em aberto |
| Até 30/06/2027, o GitHub não lança merge e rebase feitos só no servidor, por API, sem clone local, voltados a agentes de IA. | 95% | 01/07/2027 | Em aberto |
Perguntas frequentes
O que é o Scion da Anthropic?
É o sistema de controle de versão que a Anthropic criou para substituir o Git no monorepo interno, anunciado em 13 de outubro de 2026. Ele assume clientes sempre conectados, faz commits e merges no servidor e baixa arquivos só quando alguém os lê.
Por que a Anthropic trocou o Git?
Porque os agentes de IA multiplicaram o volume de código: os merges por dia foram de cerca de 2.500 em maio para mais de 30 mil em setembro de 2026. O Git, desenhado para cópias completas e trabalho offline, virou o maior gargalo.
Posso usar o Scion no Brasil?
Não. O Scion é interno da Anthropic, sem código aberto e sem versão comercial, e a empresa diz que ele não substitui o Git para uso geral. Dá para aplicar as ideias dele no Git com clone parcial, clone raso e checkout esparso.
O Scion funciona sem internet?
Não foi feito para isso. O Scion assume que o cliente está sempre conectado ao servidor, e muitas operações acontecem só por API, sem cópia local do repositório. O post da Anthropic não descreve um modo offline.
Quais foram os ganhos do Scion?
Segundo a Anthropic, a infraestrutura usa 200 vezes menos CPU e memória que os antigos espelhos de Git, o checkout para CI caiu de minutos para segundos e 25% da capacidade de CPU do CI foi liberada.
Quem construiu o Scion?
Uma equipe de sete pessoas, em cinco meses, com muito trabalho do Claude. O Claude Mythos Preview reescreveu o pipeline de importação do histórico do Git, que ficou 4 vezes mais rápido e com 20 vezes menos memória.
Golber Dóriaquem escreve este blog
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