
Superinteligência na ONU e a OpenAI Pedindo Regras de Washington: Quem Vai Escrever as Regras da IA Que Você Usa
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Superinteligência na ONU e a OpenAI Pedindo Regras de Washington: Quem Vai Escrever as Regras da IA Que Você Usa
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Superinteligência na ONU e a OpenAI Pedindo Regras de Washington: Quem Vai Escrever as Regras da IA Que Você Usa
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Trump rebatizou a IA de superinteligência na ONU e recusou controle global; na véspera, a OpenAI pediu padrões liderados pelos EUA. O que as duas falas têm em comum, onde está a lei brasileira e o que fazer no seu negócio.
"A palavra artificial faz a inteligência parecer falsa. Ela não é falsa." Com essa frase, na Assembleia Geral da ONU desta terça, 22 de setembro de 2026, Donald Trump anunciou que os documentos do governo americano vão trocar "inteligência artificial" por "superinteligência". Logo em seguida, disse que os Estados Unidos rejeitam qualquer esquema global para controlar a tecnologia.
Na véspera, a OpenAI tinha publicado um pedido que parece o contrário e não é: quer padrões globais para a IA, desde que liderados por Washington. Juntas, as duas falas respondem a uma pergunta que deveria interessar a qualquer pessoa que usa IA no trabalho: quem vai escrever as regras da ferramenta que você usa?
O que Trump anunciou na ONU, sem o barulho
O que a OpenAI pediu, e o que ficou de fora
Por que as duas falas contam a mesma história
Onde está o marco legal da IA no Brasil
O que muda no seu negócio a partir de agora
O que Trump anunciou na ONU
Trump anunciou três coisas. Os documentos oficiais dos Estados Unidos passam a chamar a IA de "superinteligência". O país rejeita qualquer tentativa de controle global da tecnologia. E o governo vai estimular o setor em vez de frear, acompanhando de perto pelo Departamento de Justiça e só intervindo se precisar.
O pano de fundo é a China. Trump disse que os Estados Unidos estão "muito à frente" dos chineses em IA, e o discurso veio dias antes de um encontro com Xi Jinping em que o tema deve aparecer. A troca de nome é simbólica. A recusa em aceitar controle internacional, não: é uma decisão de política externa com efeito direto sobre quem define as regras.
O nome "superinteligência" não foi escolhido por acaso. É o termo que os próprios laboratórios usam para o estágio em que a IA supera a gente na maioria das tarefas, o mesmo horizonte da previsão que analisei no post sobre Musk dizendo que a IA vai superar a soma da inteligência humana em 5 anos. Chamar o que existe hoje por esse nome é uma aposta de marketing de Estado.
O que a OpenAI pediu na véspera
Em 21 de setembro, a OpenAI pediu que os Estados Unidos liderem a criação de padrões técnicos globais para a IA de fronteira. O foco é em três frentes: pesquisa de IA feita pela própria IA, protocolos comuns para reportar incidentes graves e um jeito de os países coordenarem a supervisão. Não é pedido de lei, é pedido de norma técnica.
No texto da OpenAI sobre padrões para a próxima fase da IA, alguns pontos chamam atenção:
A coordenação passaria pelo CAISI, o centro americano de padrões de IA, conversando com os institutos de segurança de países como Reino Unido, Japão, Índia, Canadá, Austrália, Alemanha, França, Coreia, Singapura e Quênia.
Os incidentes teriam classificação comum, níveis de gravidade e limites claros para quando reportar.
A empresa diz que a autoevolução totalmente autônoma da IA não acontece hoje e não deveria ser buscada sem prova de que dá para manter controle humano.
E deixa explícito o que a proposta não é: licença, revisão antes do lançamento ou exigência de aprovação.
O último item é o mais revelador. A OpenAI quer regra comum para medir e reportar, não para autorizar. Cada governo decide depois como encaixar isso na própria lei.
Duas falas, a mesma aposta
Trump e a OpenAI parecem discordar e concordam no essencial: ninguém de fora deve poder frear o desenvolvimento americano. Um diz isso rejeitando controle global; a outra, propondo padrões que medem sem autorizar, coordenados a partir de Washington. A corrida contra a China venceu a discussão sobre freio.
Eu não acho isso necessariamente ruim. Padrão técnico de incidente é útil, e é melhor do que nada. O problema é outro: as regras que vão valer para a ferramenta que você usa estão sendo escritas por um governo que declarou que não quer frear e por empresas que vendem o produto. Nenhuma das duas partes tem você na mesa.
Quando a regra é escrita por quem corre, ela mede a velocidade, não a direção.
Isso já tem efeito prático. A OpenAI admitiu no relatório de segurança do Astra que ficou mais difícil acompanhar o raciocínio do próprio modelo, como mostrei em os números do GPT-6 Astra que ninguém está mostrando. E, sete dias depois de lançar o modelo, fechou o plano mais caro para novas assinaturas, caso que contei em ChatGPT Pro 20x suspenso. Sem regra externa, quem decide o que muda é o fornecedor.
Quando falta regra, decide o tribunal
Onde a lei não chega, o processo judicial vira regra. É o caso da província canadense da Colúmbia Britânica, que processou a OpenAI e Sam Altman num tribunal federal de San Francisco, dizendo que a empresa deixou de avisar a polícia sobre sinais de ameaça no ChatGPT antes do ataque a uma escola em Tumbler Ridge.
O ataque, em 10 de fevereiro de 2026, matou oito pessoas. Segundo a ação, a equipe de segurança da OpenAI recomendou acionar a polícia, e a direção decidiu que o material não atingia o limite para isso. A província pede ressarcimento dos custos e uma ordem judicial que obrigue a empresa a mudar como identifica e trata conversas com ameaça de violência.
O processo ainda vai ser julgado, e não cabe a mim dizer quem tem razão. O que ele mostra é o custo do vácuo: a decisão de avisar ou não a polícia ficou numa política interna, sem regra externa dizendo quando é obrigatório. Os padrões de incidente que a OpenAI propõe tratam justamente disso, só que depois de uma tragédia.
E o Brasil nessa mesa?
O Brasil ainda não tem lei própria de IA. O PL 2338/2023, o marco legal, foi aprovado no Senado em dezembro de 2024 e chegou à Câmara em março de 2025. Em setembro de 2026 continua lá, com a situação oficial "aguardando parecer" do relator. Se a Câmara mudar o texto, ele volta ao Senado.
A situação oficial está na ficha de tramitação do PL 2338/2023 na Câmara. O projeto segue o modelo europeu: classifica os sistemas por nível de risco, dá a quem é afetado direito a explicação e contestação, e prevê multa de até R$ 50 milhões por infração.
Enquanto isso, a regra que já vale é a LGPD. Ela garante a qualquer pessoa o direito de pedir revisão de decisão tomada só por tratamento automatizado que afete os interesses dela, e isso inclui decisão tomada por IA. Quem usa IA para aprovar crédito, selecionar currículo ou negar atendimento já está sob essa regra hoje.
Já escrevi sobre o peso da regulação para quem trabalha sozinho no post de regulação de tecnologia e SaaS. A novidade agora é que a regra mais forte sobre a sua ferramenta de IA talvez não venha de Brasília, e sim dos termos de uso escritos na Califórnia.
O que fazer no seu negócio
Sem lei específica, a proteção do seu negócio é contratual e técnica. Isso quer dizer ler os termos de uso do fornecedor de IA, não depender de um único modelo, registrar o que a IA decidiu e manter uma pessoa revisando o que afeta cliente. São quatro hábitos baratos, e valem em qualquer cenário regulatório.
Leia os termos do fornecedor como contrato. Eles dizem o que ele pode mudar, desligar ou guardar dos seus dados, e hoje valem mais que qualquer lei sobre o assunto.
Não amarre o negócio a um modelo só. Plano fechado, preço dobrado ou recurso retirado viram problema pequeno quando trocar de fornecedor é uma configuração, não um projeto.
Registre o que a IA decidiu. Entrada, saída, data e quem aprovou. É o que você vai precisar se um cliente pedir revisão pela LGPD.
Revisão humana onde a decisão atinge gente. Crédito, contratação, cobrança e atendimento sensível. É o que o PL chama de alto risco, e é bom senso antes de ser lei.
Se a sua empresa usa IA com cliente, o post sobre integrar site, atendimento e vendas com IA sem quebrar a cara mostra onde pôr essas travas na prática. E se a dúvida é o que acontece quando a equipe usa IA por conta própria, sem política, o risco está em empresa que não paga IA para os funcionários.
Se você quer desenhar o uso de IA no seu negócio com registro, troca de fornecedor e revisão humana desde o começo, é o tipo de conversa que resolvo numa consultoria técnica de 2 horas. E para acompanhar como essa disputa entre corrida e regra vai se desenrolar, inclusive no Congresso brasileiro, a newsletter traz o que muda de fato, sem o barulho.
Perguntas frequentes
O que Trump disse sobre inteligência artificial na ONU?
Em 22 de setembro de 2026, na Assembleia Geral da ONU, Trump anunciou que os documentos do governo americano passarão a chamar a IA de "superinteligência". Disse que os Estados Unidos rejeitam qualquer esquema global de controle da tecnologia, que vão estimular o setor em vez de frear e que estão muito à frente da China.
O que a OpenAI propôs sobre regulação global da IA?
Em 21 de setembro de 2026, a OpenAI pediu que os Estados Unidos liderem padrões técnicos globais para a IA de fronteira, coordenados pelo CAISI com os institutos de segurança de outros países. O foco é em pesquisa de IA automatizada e em protocolos comuns de incidentes. A empresa diz que não propõe licença nem aprovação prévia de modelos.
O Brasil já tem lei de inteligência artificial?
Ainda não. O PL 2338/2023, o marco legal da IA, foi aprovado pelo Senado em dezembro de 2024 e está na Câmara desde março de 2025, ainda aguardando parecer do relator em setembro de 2026. Até lá, o uso de IA com dados pessoais segue regido pela LGPD.
A LGPD vale para decisões tomadas por IA?
Vale. A LGPD dá ao titular o direito de pedir revisão de decisões tomadas unicamente com base em tratamento automatizado que afetem seus interesses, como perfil de crédito ou de consumo. Uma empresa que decide com IA precisa conseguir explicar e revisar essa decisão.
Por que a Colúmbia Britânica processou a OpenAI?
A província canadense acusa a OpenAI de não ter avisado a polícia sobre sinais de ameaça no ChatGPT antes do ataque a uma escola em Tumbler Ridge, em fevereiro de 2026, que matou oito pessoas. Segundo a ação, a equipe de segurança recomendou o aviso e a direção decidiu não fazer. O processo corre num tribunal federal de San Francisco.
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