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Gráfico comparativo do uso de IA para trabalho no Brasil e EUA, destacando a alta proporção em tarefas jurídicas.
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O Brasileiro Usa IA Mais Para Trabalhar do Que o Americano: os Dados Reais da Anthropic, o Direito em Alta e o Seu Estado

Equipe Golber.
7 min de leitura
Inteligência Artificial

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O Brasileiro Usa IA Mais Para Trabalhar do Que o Americano: os Dados Reais da Anthropic, o Direito em Alta e o Seu Estado

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Gráfico comparativo do uso de IA para trabalho no Brasil e EUA, destacando a alta proporção em tarefas jurídicas.

Pelos dados de maio de 2026 do Anthropic Economic Index, 57% das conversas com o Claude no Brasil são de trabalho, contra 41% nos EUA, e as tarefas jurídicas aparecem quase 4 vezes acima da média. O ranking por estado e o que os dados não dizem.

O brasileiro usa a inteligência artificial mais para trabalhar do que o resto do mundo. Pelos dados de maio de 2026 do Anthropic Economic Index, 57% das conversas com o Claude no Brasil são de trabalho, contra 43% na média mundial e 41% nos Estados Unidos. E as tarefas jurídicas aparecem quase quatro vezes mais aqui do que lá fora.

Abaixo estão os números, o que o brasileiro pede à IA, o ranking com outros países, o mapa por estado, a surpresa do direito no Mato Grosso e no Nordeste e, principalmente, o que esses dados não dizem, porque é aí que muita manchete erra.

  • O que é o Anthropic Economic Index

  • O Brasil usa IA para trabalhar

  • O direito quatro vezes acima da média

  • O seu estado no mapa da IA

O que é o Anthropic Economic Index

É um levantamento público da Anthropic, dona do Claude, que liga conversas anônimas a tarefas de trabalho de um catálogo oficial de ocupações dos Estados Unidos. Os dados mais recentes são de maio de 2026, cobrem 121 países e têm licença aberta, então qualquer pessoa pode conferir e reutilizar.

Um cuidado antes dos números: o índice mede para que a IA é usada, não quem perdeu o emprego. Quando digo que uma tarefa jurídica aparece muito, quer dizer que muitas conversas tratam de tarefas que advogados costumam fazer, não que os advogados sejam os usuários. A metodologia completa está na página do Anthropic Economic Index.

O Brasil usa IA para trabalhar

O dado que mais chama atenção é a divisão entre trabalho, vida pessoal e estudo. No Brasil, 57,4% das conversas com o Claude são de trabalho. Na média mundial são 43,4%, e nos Estados Unidos, 41,3%, porque lá metade do uso é pessoal: hobbies, conselhos e conversa.

PaísTrabalhoPessoalEstudo
Brasil57,4%31,1%11,5%
Média mundial43,4%40,2%16,5%
Estados Unidos41,3%49,7%8,9%
Argentina46,9%33,8%19,3%
México45,0%34,0%21,1%

O brasileiro também delega mais. Em 51,2% das conversas daqui, a pessoa manda a IA fazer a tarefa inteira, o que o índice chama de automação; na média mundial são 48,6%. Nas outras, a pessoa participa junto, revisando e ajustando.

O americano conversa com a IA. O brasileiro bota a IA para trabalhar.

O direito quatro vezes acima da média

A maior surpresa está nas tarefas jurídicas. No mundo, elas são cerca de 1% do uso do Claude. No Brasil, são 4%, quase quatro vezes mais, e em alguns estados o salto é bem maior: no Mato Grosso, as tarefas jurídicas chegam a 8,2% do uso, e no Nordeste aparecem entre as cinco maiores categorias.

  • Mato Grosso: 8,2% do uso em tarefas jurídicas.

  • Sergipe: 7,5%. Maranhão: 7,4%.

  • Alagoas: 6,5%. Piauí: 6,3%.

Os dados não dizem por quê, e aqui entra a minha leitura: o Brasil tem um volume enorme de processos e de petições escritas, e escrever, resumir e revisar texto jurídico é exatamente o que a IA faz bem. No mundo, as conversas sobre tarefas de advogados são, em 68,5% dos casos, de colaboração, com a pessoa participando, e não de entrega pronta. Contei outro caso de IA no meio jurídico e burocrático no post sobre revalidar diploma estrangeiro com IA.

O que o brasileiro pede à IA

O pedido número um no Brasil é criar conteúdo e texto: 28% das conversas, contra 22,7% no mundo. Em segundo vem programação, com 14,8%, também acima da média. Educação e pesquisa aparecem menos aqui do que lá fora.

  • Criação de conteúdo e textos: 28% (mundo: 22,7%).

  • Desenvolvimento de software: 14,8% (mundo: 11,5%).

  • Educação: 9,6% (mundo: 13,2%).

  • Documentos e relatórios são o que mais sai das conversas: 18,7%, contra 14,9% no mundo. Apps e sites: 6,3%, contra 4,2%. Conteúdo de marketing: 4,7%, quase o dobro da média.

É um retrato de quem tem pequeno negócio: escrever o post, montar a proposta, fazer o site, organizar o relatório. Se você está nesse grupo e quer uma tarefa que roda direto no navegador, sem mandar arquivo para servidor nenhum, a ferramenta de transcrever áudio do golber.net é grátis e não pede cadastro.

O seu estado no mapa da IA

São Paulo responde por 37,8% de todo o uso do Claude no Brasil, seguido de Rio de Janeiro e Minas Gerais. Mas essa fatia é volume, e acompanha a população. O número mais interessante é outro: em quais estados a IA é mais usada para trabalho, e aí o Sul e o Centro-Oeste lideram.

EstadoFatia do uso no BrasilUso para trabalho
Santa Catarina5,6%62,1%
Mato Grosso1,1%61,7%
Mato Grosso do Sul0,9%61,3%
Goiás2,6%60,9%
Paraná6,3%60,7%
Espírito Santo1,5%60,5%
Distrito Federal3,0%59,4%
São Paulo37,8%57,2%
Rio de Janeiro9,4%55,8%
Amazonas1,2%47,4%

O Distrito Federal tem a marca da capital: 10,3% do uso vai para tarefas de apoio administrativo e de escritório, a maior fatia entre os estados, e 22,4% das conversas terminam em documento ou relatório. Escrevo de Maringá, e o Paraná aparece em quarto lugar no volume, com 60,7% de uso para trabalho.

Brasil comparado com o mundo

No índice de uso, que compara a fatia de uso de um país com a fatia da população em idade de trabalhar, o Brasil fica com 0,96, quase exatamente na média mundial, que é 1,0. Ficamos em 61º lugar entre 121 países, atrás da Argentina e à frente do México.

  • Estados Unidos: 3,87, quase quatro vezes a média.

  • Portugal: 3,32.

  • Argentina: 1,48.

  • Brasil: 0,96.

  • México: 0,63. Índia: 0,30.

Ou seja, o Brasil usa a IA mais ou menos na proporção da população, mas usa de um jeito diferente: mais trabalho, mais texto, mais direito e mais delegação. Para comparar o Claude com a concorrência, veja o post sobre o Gemini 4 Argon contra o Claude e o do Opus 5.5.

O que os dados não dizem

A pergunta que todo mundo faz é se a IA vai tirar o seu emprego, e esses dados não respondem a ela. O próprio índice avisa que mostra uso por tarefa num retrato de um mês, sem série histórica e sem nenhum dado de emprego, então não serve para prever demissão nem para escolher carreira.

  • Não mede empregos: uma tarefa jurídica que aparece muito não quer dizer advogado desempregado.

  • Não mostra tendência: é um retrato de maio de 2026, não uma curva subindo.

  • Não diz quem usa: quem pede um texto jurídico pode ser um empresário, um estudante ou o próprio advogado.

O que dá para dizer com segurança é para onde o brasileiro está levando a IA: para o trabalho, para o texto e para o documento. Escrevi sobre o que isso faz com o preço do trabalho no post a IA não vai te substituir, mas já derrubou o preço do que você faz. Se você quer levar a IA para o processo da sua empresa com método, é o que faço na consultoria técnica.

Perguntas frequentes

Como o brasileiro usa a inteligência artificial?

Pelos dados de maio de 2026 do Anthropic Economic Index, 57% das conversas com o Claude no Brasil são de trabalho, contra 43% no mundo. Os pedidos mais comuns são criação de conteúdo e textos, programação e documentos.

O Brasil usa mais IA que outros países?

Em volume proporcional à população, o Brasil está na média mundial, com índice 0,96, em 61º lugar entre 121 países. Os Estados Unidos têm 3,87 e Portugal, 3,32. O que diferencia o Brasil é o uso maior para trabalho.

Por que as tarefas jurídicas aparecem tanto no Brasil?

Os dados não explicam a causa. Elas são 4% do uso no Brasil, contra 1% no mundo, e chegam a 8,2% no Mato Grosso. Uma hipótese é o grande volume de processos e petições escritas no país, um tipo de tarefa em que a IA ajuda muito.

Esses dados mostram quais empregos a IA vai substituir?

Não. O índice mostra para quais tarefas a IA é usada, num retrato de um mês, sem dados de emprego nem tendência. Ele não serve para prever demissões nem para escolher uma carreira.

Qual estado brasileiro mais usa IA para trabalho?

Santa Catarina, com 62,1% das conversas com o Claude voltadas ao trabalho, seguida de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Paraná. Em volume total, São Paulo concentra 37,8% do uso do país.

Onde consultar o Anthropic Economic Index?

Na página oficial do índice, no site da Anthropic, com metodologia, dados por país e por estado e licença aberta CC BY 4.0, que permite reutilizar os números citando a fonte.

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Golber Dóriaquem escreve este blog

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