
A Bolha da IA Vai Estourar? O Alerta do Bilionário da Citadel, o Pior Dia da Nasdaq Desde Junho e o Que Muda Para Você
Entre na sua conta para curtir e guardar o que gostou.
A Bolha da IA Vai Estourar? O Alerta do Bilionário da Citadel, o Pior Dia da Nasdaq Desde Junho e o Que Muda Para Você
Entre na sua conta para curtir e guardar o que gostou.
A Bolha da IA Vai Estourar? O Alerta do Bilionário da Citadel, o Pior Dia da Nasdaq Desde Junho e o Que Muda Para Você
0:00 / 10:02
Ken Griffin, da Citadel, disse que há quase certamente bolhas na IA, e a Nasdaq teve o pior dia desde junho depois do balanço da Meta. Os números de quem fala em bolha, os argumentos de quem discorda, a lição da internet e o que muda para quem está no Brasil.
A bolha da IA pode estourar, mas ninguém sabe quando, e quem diz que sabe está chutando. O que mudou nesta semana é que o alerta saiu de dentro do mercado: Ken Griffin, fundador da Citadel, disse que há "quase certamente bolhas" na IA, e dois dias depois a Nasdaq teve o pior dia desde junho.
Abaixo está o que Griffin disse, o que aconteceu na quinta-feira, os números que fazem gente séria falar em bolha, os argumentos de quem acha que não é, o que a história da bolha da internet ensina e o que isso muda para quem está no Brasil, investindo ou usando IA no trabalho.
O que disse o bilionário da Citadel
O dia em que a Nasdaq tremeu
Por que pode ser bolha, e por que pode não ser
O que muda para você no Brasil
O que disse o bilionário da Citadel
Ken Griffin comanda a Citadel, um dos maiores fundos do mundo. Na conferência da Citadel, em 20 de outubro, ele disse que há "quase certamente bolhas neste momento" e que toda transformação radical da economia costuma vir junto com uma bolha. Também disse que as empresas que atravessam a bolha viram líderes por décadas.
Há uma ironia que o mercado notou: no fim de julho, a Citadel comprou a carteira de ações do Situational Awareness, um dos fundos mais agressivos em IA, perto do fundo de uma queda forte. Depois, Griffin disse ter desfeito mais de 80% desse risco. Ou seja, quem fala em bolha também comprou na baixa.
Nem todo mundo concorda: o presidente da Blackstone, outro gigante de investimentos, disse que não vê bolha.
O ponto de Griffin não é "vai quebrar amanhã": é que dentro de uma revolução real cabem preços exagerados.
O dia em que a Nasdaq tremeu
Na quinta-feira, 22 de outubro, a Nasdaq caiu 2,6% e fechou em 26.008,86 pontos, o pior dia desde junho. As ações de fabricantes de chips tiveram o pior dia desde 23 de junho. O gatilho foi o balanço da Meta, que reacendeu o medo do dinheiro emprestado que paga a corrida da IA.
Meta no vermelho de caixa: pela primeira vez desde que abriu capital, em 2012, a empresa teve fluxo de caixa livre negativo num trimestre, depois de quase US$ 35 bilhões em investimento.
Gasto maior: a previsão de investimento do ano subiu para US$ 135 a 145 bilhões.
Ações sem voto: a Meta propôs criar uma classe de ações sem direito a voto para levantar dinheiro para IA. As ações caíram cerca de 7%, e Microsoft, Oracle, Alphabet e Amazon caíram junto, de 2,2% a 4,6%.
Tesla: no mesmo dia, cortou a meta de vendas de 2030 de 20 milhões para 5 milhões de carros por ano.
Os números são da cobertura do Investing.com. Um analista da Jones Trading resumiu: foi a venda mais espalhada das ações de IA no ano. E o índice de chips já estava cerca de 20% abaixo do pico de junho.
Por que pode ser bolha
Bolha é quando o preço corre muito na frente do lucro que o negócio consegue entregar. Os sinais de agora são três: gasto gigante, dinheiro emprestado e ações caras. Juntos, lembram o fim dos anos 1990, quando a internet era real e mesmo assim a bolsa quebrou.
Gasto gigante: Alphabet, Amazon, Microsoft e Meta devem investir mais de US$ 700 bilhões em infraestrutura só em 2026, principalmente em data centers e chips.
Dívida e compromisso: só a Meta tem cerca de US$ 825 bilhões em contratos e aluguéis futuros. Quando o caixa fica negativo, o dinheiro vem de empréstimo ou de ação nova.
Ações caras: o S&P 500 quase dobrou desde o início de 2023 e está perto do pico de um indicador clássico de preço sobre lucro, o CAPE.
A internet era real em 2000, e a bolsa quebrou mesmo assim. Uma tecnologia de verdade não impede um preço de mentira.
Por que pode não ser
O argumento do outro lado é que, diferente de 2000, o dinheiro já está entrando. A Anthropic disse a investidores que faturou US$ 16,8 bilhões no terceiro trimestre, 45% acima do trimestre anterior. Empresas pagam pela IA todo mês, e o uso cresce, como mostram os modelos que testo aqui no blog.
Receita real: OpenAI, Anthropic e Google cobram por uso, e as empresas estão pagando. Falei do faturamento da Anthropic no post sobre como ganhar dinheiro com IA em 2027.
Líderes com caixa: Alphabet, Microsoft e Amazon têm outros negócios lucrativos que pagam a conta, e a briga entre elas está no post sobre quem quer o império do Google.
Lição da Amazon: na bolha da internet, a ação valia cerca de US$ 5, caiu para menos de US$ 1 depois do estouro e hoje passa de US$ 240. Quem sobreviveu dominou o mercado, que é exatamente o que Griffin disse.
A resposta honesta é que as duas coisas podem ser verdade: a IA muda a economia e parte das ações está cara demais. É o que separa a tecnologia do preço da ação, a mesma discussão que fiz no post sobre o alerta da explosão de inteligência.
O que muda para você no Brasil
Se a bolha estourar, o efeito chega ao Brasil por três caminhos: investimentos ligados à bolsa americana, o preço do dólar e o custo das ferramentas de IA que você usa no trabalho. Não é recomendação de investimento: é o mapa para entender o risco antes de agir.
Quem investe: fundos e ETFs que acompanham a Nasdaq caem junto. Antes de pôr dinheiro em ação de tecnologia, tenha uma reserva de emergência montada, e a calculadora abaixo mostra quanto ela precisa ter.
Quem usa IA no trabalho: se o dinheiro fácil secar, as empresas de IA vão cobrar mais caro ou cortar planos generosos. Foi o que vimos quando a OpenAI fechou o plano mais caro para novas assinaturas sete dias depois de lançar o GPT-6 Astra, caso que contei no post sobre o ChatGPT Pro 20x suspenso.
Quem tem empresa: não amarre o seu sistema a um fornecedor só. No golber.net, uso um modelo de decisão barato, o Jev, para as tarefas simples, e o modelo caro só onde ele faz diferença.
A versão completa fica na calculadora de reserva de emergência. E, se você quer revisar se o seu sistema depende demais de um fornecedor de IA, é o tipo de análise que faço na consultoria técnica.
Minhas apostas sobre a bolha
Registro as apostas abaixo com a chance que o Jev calculou a partir dos fatos de hoje, 24 de outubro. A última é a mais polêmica: o Jev acha mais provável que as quatro gigantes não anunciem gasto maior em 2027.
| Aposta | Confiança | Verificação | Resultado |
|---|---|---|---|
| A Nasdaq fecha 31 de dezembro de 2026 acima de 26.008,86 pontos, o fechamento de 22 de outubro | 56% | 31/12/2026 | Em aberto |
| A Nasdaq não fecha 20% abaixo de 26.008,86 pontos (abaixo de 20.807) em nenhum dia até 30 de junho de 2027 | 59% | 30/06/2027 | Em aberto |
| Alphabet, Amazon, Microsoft e Meta, somadas, não anunciam para 2027 investimento em infraestrutura maior que o de 2026 | 62% | 31/03/2027 | Em aberto |
Perguntas frequentes
A bolha da IA vai estourar?
Ninguém sabe a data. Ken Griffin, da Citadel, disse que há quase certamente bolhas na IA, e a Nasdaq teve o pior dia desde junho em 22 de outubro. Mas há receita real entrando, e o Jev dá 59% de chance de a Nasdaq não cair 20% até junho de 2027.
O que Ken Griffin disse sobre a IA?
Na conferência da Citadel, em 20 de outubro de 2026, ele disse que há quase certamente bolhas neste momento e que toda transformação radical da economia vem junto com uma bolha. Também disse que as empresas que sobrevivem viram líderes por décadas.
Por que a Nasdaq caiu em 22 de outubro?
Pelo medo do gasto em IA pago com dívida, depois do balanço da Meta: fluxo de caixa livre negativo pela primeira vez desde 2012, previsão de investimento de até US$ 145 bilhões e a proposta de ações sem direito a voto. A Nasdaq caiu 2,6%.
A bolha da IA é igual à bolha da internet?
Há semelhanças, como ações caras e gasto antes do lucro, e uma diferença: hoje as empresas de IA já faturam bilhões por trimestre. Na bolha da internet, a tecnologia também era real, e a bolsa quebrou mesmo assim.
O que acontece no Brasil se a bolha da IA estourar?
Fundos e ETFs ligados à Nasdaq caem, o dólar tende a oscilar e as ferramentas de IA podem ficar mais caras ou perder planos generosos. Quem usa IA no trabalho deve evitar depender de um fornecedor só.
Devo vender minhas ações de tecnologia?
Este post não é recomendação de investimento. O básico vale em qualquer cenário: ter reserva de emergência, não concentrar tudo num setor e não decidir pelo susto de um dia de queda.
Golber Dóriaquem escreve este blog
Receba os posts novos no seu email
IA aplicada ao trabalho, stack e o negócio de uma pessoa só, direto na sua caixa de entrada. Sem spam, e sair é um clique em qualquer email.